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Notícia 172/2019 - Produção da indústria nacional fecha primeiro trimestre de 2019 em queda

access_time 15 de Maio de 2019 • 13:09
A fragilidade na economia brasileira refletiu na baixa produção industrial nos três primeiros meses deste ano. De acordo com o Indicador de Consumo Aparente de Bens Industriais, divulgado nesta terça-feira (14/5) pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), o rendimento das indústrias nacionais entre janeiro e março teve retração de 2,3% quando comparado ao mesmo período do ano passado. Como consequência, a demanda interna por bens industriais no período caiu 2,7% em relação ao primeiro trimestre de 2018.   O indicador do Ipea, que calcula a produção industrial interna líquida das exportações acrescida das importações, alerta para a falta de investimento dos empresários brasileiros. “A indústria passa por um momento conturbado, muito por conta da situação da economia interna do Brasil. Nos últimos meses, essa instabilidade deteriorou o nível de confiança dos empresários. Ao mesmo tempo, as turbulências na política aumentam a incerteza dos agentes da indústria. Enquanto essas questões não tiverem solução, os empresários não terão coragem para investir ou contratar”, reconhece o técnico de planejamento e pesquisa do Ipea, Leonardo Carvalho.   Segundo ele, a indústria dará uma contribuição negativa para o resultado do Produto Interno Bruto (PIB) do país no primeiro trimestre. Carvalho pontua que o desastre em Brumadinho (MG), que afetou bastante a produção mineral, e a recessão da economia argentina, importante parceiro do Brasil na importação de bens manufaturados e semimanufaturados, contribuíram para a crise. Para Carvalho, o bom encaminhamento das reformas tributária e da previdência, que tramitam no Congresso Nacional, pode dar uma esperança ao segmento.    “A crise é severa e, do jeito que nos encontramos hoje, ela está longe de se resolver. Mas assumindo a hipótese de que ambas as reformas sejam aprovadas, teríamos um cenário de aceleração da atividade econômica ao longo do segundo semestre. Precisamos das reformas para fazer a roda da economia girar. Assim, conseguiremos aumentar a demanda por bens internos e ter uma melhora no mercado de trabalho, seja com investimentos ou contratações”, analisa o técnico de planejamento e pesquisa do Ipea.   Queda geral   A retração afetou o consumo aparente de bens industriais das chamadas grandes categorias econômicas — bens de capital, intermediários e de consumos. Em comparação ao primeiro trimestre de 2018, com exceção do segmento bens de capital, todos as demais classes registraram queda. O destaque negativo ficou por conta do segmento bens de consumo duráveis, que recuou 3,6% na margem.   A demanda interna das classes de produção também foi impactada. A da indústria extrativa retraiu 8,4% em relação ao período de janeiro a março do ano passado. Na indústria de transformação, o retrocesso neste primeiro trimestre foi significativo: 14 dos 22 segmentos apresentaram variação negativa em relação ao mesmo intervalo de 2018.  a A maior oscilação negativa veio do segmento produtos de fumo, que caiu 22,6%.   De acordo com Carvalho, os resultados podem resultar na perda de competitividade da indústria nacional no mercado estrangeiro. “Estamos vivendo diante de uma ociosidade muito grande, ainda devido à recessão da economia brasileira. Além de a indústria produzir pouco, o nosso maquinário está parado e os empresários não investem em novas tecnologias. Com isso, é inevitável que a nossa competitividade seja impactada, seja no mercado interno ou externo”, destaca.     Variação da demanda interna por bens industriais entre o primeiro trimestre de 2018 e o primeiro trimestre de 2019   Indústria geral: -2,7% Extrativa mineral: -8,4% Indústria de transformação: -1,5% Bens de capital: +5,1% Bens intermediários: -1,6% Bens de consumo: -1,9%